sexta-feira, 27 de maio de 2011

Boa noite, amor...


Prende o sopro para que não leve, em suspiros, o que guarda na alma, em silêncio.


Varre a quimera - calado o sofrimento envolto em pranto -, e procura esconder a saudade que suscita no seu ser a nostalgia...


Duas almas que tarde se encontraram, almas tão parecidas, com desejos insensatos de um afecto sentido, de uma ternura...


                                    ... saudades que, de noite e de dia, as almas atormentam...


Nos seus olhos acende-se o fogo do seu desvelado pensamento quando abraça a sombra da magia, existente, que a atrai para aquele amor.


Numa linguagem muda, diz tudo,

                                                  como não se habitua à ideia de não o ver, como chorou a dor quando partiu, como finge vê-lo, por vezes...


No seu coração há um amor cativo.


Nos seus olhos uma luz rebrilha quando, num abraço, num sonho ardente, se atreve a voltar aos antigos sentimentos...

                                              ... depois, numa noite escura, solta o coração e diz, por amor, um eterno adeus, sentindo que tudo que a alma sente é ilusão.


Ainda que lhe responda, somente, o silêncio, a solidão... diz:

                                                               boa noite, amor ...!

maria belém


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Valsa de despedida


Hoje danço uma valsa de despedida...
trazendo em mim imensa, triste mágoa,
rodopio ilusões plo mar da vida

O manto dos meus olhos, feitos água,
num silencioso anseio de um afago,
entrega a alma num florir de frágua

Tomando a brandura, quietude dum lago
como versos meus, do meu querer sonhar, 
meu pensamento cisma, contigo... vago...

Ergo os braços aos céus e procuro rezar
pra que sejas a voz da minh'alma perdida,
benditas novenas cantadas ao luar

maria belém

domingo, 22 de maio de 2011

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida...

Dahmane Hocine

«Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida»
por bosques atapetados de saudade,
procura-te, estende braços d'ansiedade
ao choro de uma fonte dolorida

A água, desfazendo-se em suave pranto
na madrugada mergulhada em luz e cor,
lança tristes suspiros de dor,
escoando-os em seu azulado manto

O choque produzido em som tão brando
como o da batida dum coração, sonhando,
vibra como amor, em sangue, a palpitar

Como lágrimas caindo num botão de rosa,
suas gotas, corpo e alma dolorosa,
lavam os desgostos, lânguidos, num versar

maria belém

sábado, 21 de maio de 2011

O chá


O telefone tocou e, do outro lado, uma voz suave, repousante, de tons graves, aveludados, atendeu.

Era só uma voz, sem rosto, sem corpo, que dizia muito da pessoa que a possuía.

Há vozes assim, cativantes, hipnotizantes, que soam nos ouvidos como música e que fazem com que, de imediato, simpatizemos com o seu dono.


Há muito tempo que não o ouvia, a vida tinha-os separado, o que acontece muitas vezes apesar do que possam ter sentido um pelo outro.

Durante uns segundos ficou calada, tinha esquecido como se emocionava sempre que o ouvia.

Finalmente falou: «não sei se ainda te lembras de mim...»

Não a deixou continuar: «lembro-me perfeitamente, estás bem?»

«Sim, estou, e tu como estás?»

«Também estou bem, mais amadurecido, talvez...»

«Os anos passam quer queiramos ou não e a vida encarrega-se de amadurecer ideias e de suavizar certas atitudes, antes muito radicais», disse ela e prosseguiu:

«Tenho estado a viver fora de Portugal e ao ver o teu número de telefone, numa agenda antiga, pensei que gostaria de tentar falar contigo. Tive sorte, ainda tens o mesmo número»

«Ainda bem que o fizeste porque gostei de te ouvir. Será possível encontrarmo-nos para tomar um chá?»

«Sim, um chá...

de rútila essência de quimera»


maria belém




sexta-feira, 20 de maio de 2011

Vem...

Deigo Rivara

Vem...

                                                     porque esperas?...

... a minha alma é um campo de flores e de espinhos, um palco de ilusões e de quimeras...

... meu corpo, doces de mel, de pimenta e de canela.

Em loucura apetecida, tropeço e caminho, vacilante, ouvindo, ao longe, o eco que ressoa dessa voz...

e o tempo vai correndo velozmente, nesse girar de loucas fantasias, embalando a alma docemente.

A mocidade, essa, quase se esfuma levando o melhor da nossa idade e o gelo do inverno se aproxima, vindo colher, talvez, uma saudade...

maria belém 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O beijo dos anjos


Quando os anjos vêm pousar
os seus delicados lábios
sobre os meus, e a chorar,
sinto que a morte está perto
e que eles me vão levar.


Meu pensamento está certo
pois os oiço a cochichar
suavemente, docemente,
com medo de me acordar.


Levam-me nas suas asas
-segurando-me ternamente-
através do Infinito.


Algures te vou esperar
amor meu, sempre presente,
meu amor nunca finito.


maria belém

Há dias assim...

Barbarela

em que temos de reinventar a vida.

Não podemos, nem devemos, ser apenas água ou vento, deixando-nos escorrer por uma vida abstrata, nem entregarmo-nos ao desfiar dum rosário de horas, tristes, a passar.

A vida é feita de pequenos nadas, de encontros, raros e fortuitos, de almas em que ninguém mais estará presente senão elas.
Nestes momentos de almas-gémeas, de tranquilidade e de paz, seria inútil encontrar o que se quer esquecer, só valerá a pena viver o reencontro que não se sabe por quanto tempo será.

Esqueçamos os silêncios e a solidão neste viver de horas desiguais, amemos enquanto o sonho for como um abrigo, em que tudo se enebria e ilumina. Busquemos esse reino de prazer que se perdeu na memória, vagamente.

Todos procuramos o amor, o coração embala um sonho que não destrua o encanto da magia e por vezes descobrimos, aqui e além, no toque delicado da palavra, a fonte donde jorra, forte, esse Amor.

maria belém

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Espera-me...


... se não hoje, numa vida que há-de vir ao redor de nós, como água que circula, que transborda para o instante do sempre, invasão consentida, aplainada num pacto de paz e amor.

Espera-me,

                  segura na tua a minha mão, num tempo, num lugar, num sítio sem morada e deixa que o meu riso alegre, delicado, como o de uma criança, se aninhe nos teus ouvidos como música perfumada de tons suaves, trémulos de memórias de encontros-desencontros.

Neste entrelaçar de mãos e de almas, abro-me para ti num abraço tranquilo e digo-te, num longo olhar, como nunca mais estarás sozinho no percorrer dos silêncios e da saudade.

Uma flor nasceu e, com ela, o saboroso pomo desejado,

                                      uma alma cheia de amor para se dar, um bálsamo para as dores que o
                                      tempo, esquecido, foi deixando ficar.

maria belém

domingo, 15 de maio de 2011

Clarice Lispector (pensamento)


Fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente

Clarice Lispector

sábado, 14 de maio de 2011

Se me deixasses ver-te uma só vez...


Se me deixasses ver-te uma só vez,
o meu ser, todo de terra em flor,
levar-te-ia todo o meu amor
embrulhado num beijo d'insensatez

Num espraiar de luz pelo horizonte
aconchegaria meu álgido coração
num ardor de palavras, feitas oração,
pedindo que o amor cantasse como fonte

A paisagem acenderia suas cores
num abraço iluminado de flores,
casamento da alegria e do riso

E as almas, murmurando suave canto,
enlaçadas por um diáfano manto,
enredar-se-iam em prazeres de paraíso

maria belém

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sinto saudades...

Ricardo Paula


Sinto saudades mas não quero correr atrás.
Ai!... até onde vai tanto orgulho?

Ana Carolina

terça-feira, 10 de maio de 2011

Destinos que se cruzam


Um dia...

                                                ... com um gesto apenas...

a vida dela mudou para sempre.

Chegou sem aviso e sem ser convidado, um estranho, trazendo nas mãos o perfume da dádiva de um pequeno bouquet de botões floridos.

Ecos longínquos, de um mundo distante, trouxe-lhe a magia do assombro, um sentimento esquecido.

No seu corpo agitou-se a quimera, a loucura, a fantasia e um apelo, vago e mudo, começou a crescer no seu coração:

que o tempo parasse para que não ficassem por abrir os botões da esperança e do amor que encantou a sua alma.

maria belém

domingo, 8 de maio de 2011

O que a distância faz ao amor


A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo:
apaga o pequeno e inflama o grande

Roger Bussy-Rabutin

sábado, 7 de maio de 2011

[...]

Barbarela

... Canto a luz do teu olhar,
mergulho na magia do teu sorrir,
enleio-me nas ondas do teu cabelo
e, aí, me deixo ficar...

maria belém

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O poeta é um fingidor


Como dizia Pessoa
o poeta é um fingidor,
nos versos que ele entoa
faz parecer que a alma soa
em belos acordes de amor

A «palavra» é perigosa
para quem a lê e sente,
umas vezes animosa,
outras vezes mui daimosa,
mas o mau é quando mente...

No entanto como é bom
que o poeta finja tão bem,
sem desejo ou emoção,
nas asas da ilusão,
leva nas mãos os carinhos
sem que os sinta no coração

maria belém

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Rosa Lobato de Faria


«Mesmo que minha alma, em cuja imortalidade acredito, não guarde memória do que fui em vida, levará a marca da minha humanidade pelos tempos dos tempos»

Rosa Lobato Faria

terça-feira, 3 de maio de 2011

Hoje, de ti, não quero só palavras


As palavras, transformadas em gestos, seriam como pombas brancas à tua volta, voando em círculo, ou repousando, suavemente, sobre os teus lábios, tuas mãos, e a ternura, vestida de felicidade, escreveria o seu nome na tua fronte.
O vento, num doce sibilar, traria o som dos poemas que não foram escritos na tua pele, semeando sentimentos, desvelos de quem sabe o que é o amor.

E depois, o que esperariam elas?

Esperariam o encanto do eco feito música, nos seus ouvidos, vinda de harpas imaginárias, do crepitar do fogo extinto pela manhã, do som quente duma palavra dita num êxtase apaixonado.

E seriam ainda elas para todo o sempre, cativas que ficariam de beijos doces de aromas perturbantes, de risos sensuais e ardentes, de sonhos feitos momentos, de silêncios, por fim tombados, como beijos a florir.

E como ficariam à espera do dia em que lhes dissesses:

hoje, de ti, não quero só palavras.

maria belém

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Para sempre...


Há um desassossego em mim, incontrolável, quando falas dos teus segredos, dos teus medos, das tuas hesitações.

As palavras são caprichosas, são jóias, armas poderosas, se de amor se fala...

e como seria mar...

em ondas abundantes, palpitantes de suavidade, inundaria e beijaria, perdida toda a força, a areia fina com sons delicados, sussurrantes...

e como seria segredo,

não fugaz, mas para sempre, de águas deslizantes, protegidas plas almas que se abraçariam docemente,

                                                                          porque este desejar é infinito.

maria belém

domingo, 1 de maio de 2011