domingo, 6 de maio de 2012

À minha querida Mãe


Este adeus anunciado há algum tempo diz-nos que este é o último Dia da Mãe que passamos juntas neste tempo/espaço, nesta dimensão.

Ambas sabemos que a Senhora de Negro a olha furtivamente, se aproxima de si com passos gentis, instalando-se ao seu lado. Como um ladrão há-de levá-la de mim, numa viagem silenciosa, deixando-me somente lágrimas.

Depois os nossos encontros, as nossas conversas, serão, unicamente, um toque subtil de almas, um piscar entre o sono e a vigília até que um dia ela me venha tomar pela mão e me levar. Então, as portas abrir-se-ão de par em par e, juntas, contemplaremos o Universo na sua verdadeira forma.

maria belém

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Às vezes ainda me sonho...



Foi nos veios simples destas mãos que pousaste, um dia, os teus lábios quentes.

O sonho, então, brotou, abafado e sufocante, deslumbrando o meu ser todo inocente.

Mas de tanto sonhar um sonho lindo, embalei na alma, em chama ardente, um desencanto cruel e ferino.

Fui joguete do destino.

Essas quimeras, feitas de ansiedade, nunca passaram de simples ideais.

Às vezes ainda me sonho...

          e sinto em mim viver esse prazer de querer ser a luz do teu doce olhar, esse ar que respiras, ser, enfim, a alma que te aquece.

maria belém