terça-feira, 25 de outubro de 2011

Outono

mjm

O Outono melancólico nos chegou
com seus ventos, seu arrolhar de chuvas,
folhas a caír em cores e tons de uvas
perfumam o solo, eflúvio que ficou


Como um vôo de pássaro aflito
que num espaço, insano, de dor se perdeu,
o sonho nasce e morre como um grito,
joguete de um destino que se rendeu


No cálice da alma amou-se a Primavera,
com o Estio veio um ardor fremente
mas o céu do Outono trouxe a quimera
nascida da saudade de um amor ausente

maria belém 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Esqueci-te!!!


Esqueci-te!!!

Esqueci-te?...

Quando acordava eras das primeiras pessoas em quem pensava, por isso o parecer impensável que tenha acontecido.

Até fico em dúvida...

Como é esquecer uma pessoa?

Não pensar nela a todo o momento, não sentir qualquer preocupação sobre com quem ela está, não ficar angustiada se não souber do seu paradeiro, olhar para a sua fotografia e ficar indiferente?
Serão estes sintomas suficientes para dizermos que esquecemos?

O processo foi tão lento que nem me apercebi...

Há muito tempo - que já lá vai - me dizias: «não me esqueças nunca», o que procurei fazer, afincada e persistentemente, durante anos, apesar da indiferença, do silêncio prolongado, das desfeitas, da falta de amizade.

Mas hoje acordei e tu não estavas lá...

                     será que, finalmente, te esqueci?...

maria belém

sábado, 8 de outubro de 2011

Vozes Vindas Dum Poema


Num mundo sem palavras
Perdidas na multidão,
Vozes vindas dum poema
Afogam a solidão

São como ondas que correm
Da poesia pro mar,
Muitos dias, muitas noites
De um solitário amar

Para onde é que navegas?
Aproxima-se a escuridão.
Desfaz teu feitiço, ó Poeta,
Leva contigo a ilusão

maria belém

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que nos resta...


Semeei-me de afagos, todos os que te quis dar um dia em tom brando, conjugados num momento certo com a sabedoria da fruição. E não falo só de paixão mas de outras belezas da vida, um poente assistido a dois, uma paisagem, uma simples refeição, um passeio de mãos dadas.

Muitos anos tiveram de passar para que compreendesse o apreciar de um momento, uma companhia, uma conversa, uma viagem ou até um silêncio.

Quando se é novo pensa-se que se tem a vida toda pela frente e nunca há tempo para estarmos connosco e muito menos com o outro em essência, os pensamentos fogem para outros lugares e nunca se está onde se está, nem aquilo que se tem é o que se tem.

Só quando se é mais velho, e o tempo começa a escassear, nos apercebemos de que é preciso ter gasto a vida para perceber a morte e que necessitamos é de harmonia e paz.

Resta-nos, sim, a paixão da alma.

maria belém

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Encontros/Desencontros de Almas


Duas almas, fugidias, soltam-se do mistério que é a Vida, sequência de encontros/desencontros em várias épocas, em vários lugares.

Num caminhar lado a lado, caladas, o seu «Eu» distinto do outro «Eu».

A vida é como uma estrada a percorrer e as almas, desprovidas por vezes de sentidos, caminham sem ver todas as maravilhas que lhes são oferecidas.

Sonhos e canseiras voltam a viver-se, não percebem, no presente, as lutas que sofreram no passado nem se lembram do que ficou gravado nos seus Seres mas, no entanto, os sinais desse passado deixam-lhes, muitas vezes, as almas inquietas.

No segredo dos dias de mais uma viagem, sentem como que um sopro de alguém que lhes foi próximo, um secreto amigo, talvez, mas o coração jaz, calmamente triste, não deixando que se apercebam do mágico «encontro» que terminará no sonho, na ilusão.

Alguém,mesmo ao seu lado,  não conseguiu descobrir um olhar, uma súplica de nostálgica amizade. Então,  num anseio palpitante de desilusão, despede-se, mais uma vez,  pedindo à Noite que lhe abra os braços, deixando-se esvaír num derradeiro cântico de amor.

maria belém