Duas almas, fugidias, soltam-se do mistério que é a Vida, sequência de encontros/desencontros em várias épocas, em vários lugares.
Num caminhar lado a lado, caladas, o seu «Eu» distinto do outro «Eu».
A vida é como uma estrada a percorrer e as almas, desprovidas por vezes de sentidos, caminham sem ver todas as maravilhas que lhes são oferecidas.
Sonhos e canseiras voltam a viver-se, não percebem, no presente, as lutas que sofreram no passado nem se lembram do que ficou gravado nos seus Seres mas, no entanto, os sinais desse passado deixam-lhes, muitas vezes, as almas inquietas.
No segredo dos dias de mais uma viagem, sentem como que um sopro de alguém que lhes foi próximo, um secreto amigo, talvez, mas o coração jaz, calmamente triste, não deixando que se apercebam do mágico «encontro» que terminará no sonho, na ilusão.
Alguém,mesmo ao seu lado, não conseguiu descobrir um olhar, uma súplica de nostálgica amizade. Então, num anseio palpitante de desilusão, despede-se, mais uma vez, pedindo à Noite que lhe abra os braços, deixando-se esvaír num derradeiro cântico de amor.
maria belém