quinta-feira, 5 de abril de 2012

Descobrir-te

Minimalistik (Olhares)


Fez-se silêncio das palavras escritas.
Ao outro silêncio, o das palavras ditas, murmuradas, já nos tinhas habituado há muito.

Fazem falta os escritos de amor, esse mago encanto quando as tuas mãos, num deslizar de dedos, numa carícia terna, enviam sonhos e magia que fazem brotar desejos infindos, como Alma que povoa fantasias numa louca ambição de amor eterno.

Alma peregrina, arrebatada, que viaja por várias "terras" de delirantes ternuras, num anseio misterioso, deixando, atrás de si, uma luz que ilumina apenas, e só, quem a entende e quem a sabe.

Têm sido o meu encontro, o meu sentir, horas dadas de ventura, palavras que podiam ser minhas, mesmo que não conheças quem sou, como sinto, como penso, como amo...

Na contemplação da minha saudade, não te julgo, penso que te descodifico, só me falta descobrir-te...

maria belém 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Rasgo...


Rasgo...

              o desejo que a lua impregnou sobre teu rosto submerso por longos cabelos...

Rasgo...

              o esquecimento de quem era eu e de como seria o nosso prazer...

Rasgo...

              como gota de lacre, o segredo obscuro, escondido, à espera do amor...

Rasgo...

              o anseio de um abraço, fundir-me com ele, ardência de pele, única...

Rasgo...

              a perturbação de beijos apaixonados num corpo sugerindo cansaço...

Rasgo...

              o sonho de uma criança/mulher, serpente-virgem de lânguido sorriso...

Rasgo...

              encarniçadamente, o coração que recorda a impaciência da insolação do desejo...

Rasgo...

              a vida que escorre entre dedos de esperança e de dor.


maria belém

domingo, 1 de abril de 2012

O Sonho


Os sonhos acontecem quando nos enroscamos nos braços de Morfeu, deus dos sonhos, filho da Noite e do Sono.





Chegam de mansinho, trazendo nos lábios  o sabor de emoções, aquecendo, junto ao corpo, noites frias ou soprando suaves brisas.
Neles vivemos belas fantasias, mágicas, criativas, que deixam de lado medos e vergonhas.





O sonho está para além do alcance do prazer sensual, da dor infinita no coração dos Homens.
É um néctar divino que nos é dado a beber, nele o Amor extrai a graça radiante do Ser.





Na oficina do sonho tudo é possível.





A arte pode revelar-se através de uma grande tela onde a alma de um artista se expõe; todas as cores da paleta podem ser possíveis, a esmeralda pode ter a cor vermelha, assim como o rubi pode ter a cor verde.





O sonho pode ser, ainda, a voz de um filósofo ou de um poeta que pelo caminho vai dispersando o esplendor do Universo..





Vivemos novas vidas em novas terras por onde vagueamos num estado de assombro e de graça ao mesmo tempo que, de nós, brota uma nova luz.




Podemos ser a carícia murmurada que abre os silêncios e respira as intenções de um mar de desejos em que a felicidade navega.





No caminho de sensações que percorremos, terno ninho de palpitantes vidas, o desatino, feito sonho, em que se vive mágicos cansaços, é autêntico ou não passa de ilusão?





Depois, chega a madrugada, os sonhos  despojam-se da sua poesia, mergulham no âmago do eu existencial e aí se deixam ficar até que nova noite , misteriosa, os venha acordar.




maria belém