quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Como gostaria de te ter encontrado...

Barbarela


Como gostaria de te ter encontrado, na minha busca do imaginário...

Como gostaria de te ter encontrado, antes que as palavras se despissem...

Como gostaria de te ter encontrado, antes que aparecessem as brumas da Vida...

Como gostaria de te ter encontrado, antes que o equilíbrio fosse o próprio desequilíbrio...

Como gostaria de te ter encontrado, antes que o tempo, atento e desatento, te viesse buscar...

Como gostaria de te ter encontrado, antes que o meu corpo doesse de achado...

Como gostaria de te ter encontrado antes, quando pudesse ter refletida a luz do teu olhar no meu...

Como gostaria de te ter encontrado, «Saudade», antes que me tivesse sido ofertado o teu perfume...

maria belém

sábado, 17 de dezembro de 2011

«Amor é fogo que arde sem se ver»



«Amor é fogo que arde sem se ver»,
É desejo que s'esconde atrás do olhar,
Quentura que nos invade sem querer
Qual febre que, de mansinho, vem beijar


É coração ansioso, perturbado,
De quem caminha na vida distraído,
Indo sempre, num turbilhão, apressado
Sem ver quem se lhe oferece num gemido


Se nos olhos desabrocha o amor,
Como rosal florido se abre em flor,
A alma sacia a sede de desejos


Ao abarcar nos seus braços um abraço,
Terno ninho de palpitante cansaço,
Entrega-se à paixão, lenta, de mil beijos

maria belém

sábado, 10 de dezembro de 2011

O bébé bisonte que não chegou a nascer (pequeno conto)


Numa extensa pradaria dos Estados Unidos da América, uma manada de bisontes andava a deambular, alimentando-se, correndo, lutando, exercitando os seus vigorosos corpos, enquanto algumas fêmeas, prenhas, pastavam calmamente. Algumas delas foram parindo as suas crias sem a menor dificuldade. Já tinham nascido muitas delas e as mães, cuidadosamente, lambiam-nas para as limparem dos restos do parto, enquanto os seus bébés procuravam as tetas, nas barrigas, onde, ansiosos, desejavam mamar. Depois de se saciarem, ainda um tanto desajeitados, davam pequenos saltos e corridas, felizes, como que a saudar a Vida.
Mas, entre elas, havia uma fêmea que estava, há horas, em trabalho de parto sem conseguir parir. A sua cria tinha nascido mal, estava entalada pois apareceram, em primeiro lugar, as patas dianteiras não se vendo a cabeça. As outras fêmeas procuravam ajudá-la mas nada podiam fazer.
Afastou-se alguns metros da manada, andando de um lado para o outro, cada vez mais fraca, foram horas e horas de sofrimento. Por fim, extenuada, deixou-se caír no chão e aí se deixou ficar até que a morte, pesarosa, as veio buscar, a ela e à sua pequena cria que não chegou a nascer.

Então toda a manada se aproximou para um derradeiro adeus. Um a um foram colocando os focinhos sobre o seu corpo como que a despedirem-se. Um deles, talvez mais inconformado, levantou uma pata e, levemente, raspou-a sobre o seu corpo inanimado, possivelmente tentando que ela se levantasse.
Depois desta triste cerimónia, afastaram-se, lentamente, deixando que a natureza fizesse o que tinha a fazer.

maria belém

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tinhas mesmo de ser tu...


Tinha calcorreado meio mundo, visto muitas culturas, muitos seres diferentes, conheceu o que de bom e de mau existe na humanidade, fez amizades, teve encontros, desencontros e, no fim, algo de novo aconteceu, um recomeço talvez.

Há muito tempo que se tinha mudado para um lugar onde pudesse estar em comunhão com a natureza, era um pouco «bicho do mato», solitária, gostava de apreciar os dias de sol que aquecem almas desoladas de amantes, com seus mil beijos ardentes de amor. Quando ele se punha, sua alma ficava  num meditar contemplando os mistérios tão cheios de beleza.
Nessas alturas sentia uma leve mágoa, uma tristeza que doía, em si, baixinho, por não ter um carinho, o consolo de alguém.

Mas um dia aconteceu o inesperado quando, extasiada, debaixo de um sol escaldante, viu aquele que, teve a certeza, seria a sua alma gémea.
Então «menina e moça» pensou que todos os sonhos que tinha embalado se estavam a tornar realidade. À volta deles pétalas de flores exalavam um aroma estonteante e toda a Natureza sucumbiu a uma calmaria grave e sensual naquele fim de dia que os lançou numa quimera ardente.

Tinhas mesmo de ser tu...

                                               disseram em uníssono.

maria belém