Numa extensa pradaria dos Estados Unidos da América, uma manada de bisontes andava a deambular, alimentando-se, correndo, lutando, exercitando os seus vigorosos corpos, enquanto algumas fêmeas, prenhas, pastavam calmamente. Algumas delas foram parindo as suas crias sem a menor dificuldade. Já tinham nascido muitas delas e as mães, cuidadosamente, lambiam-nas para as limparem dos restos do parto, enquanto os seus bébés procuravam as tetas, nas barrigas, onde, ansiosos, desejavam mamar. Depois de se saciarem, ainda um tanto desajeitados, davam pequenos saltos e corridas, felizes, como que a saudar a Vida.
Mas, entre elas, havia uma fêmea que estava, há horas, em trabalho de parto sem conseguir parir. A sua cria tinha nascido mal, estava entalada pois apareceram, em primeiro lugar, as patas dianteiras não se vendo a cabeça. As outras fêmeas procuravam ajudá-la mas nada podiam fazer.
Afastou-se alguns metros da manada, andando de um lado para o outro, cada vez mais fraca, foram horas e horas de sofrimento. Por fim, extenuada, deixou-se caír no chão e aí se deixou ficar até que a morte, pesarosa, as veio buscar, a ela e à sua pequena cria que não chegou a nascer.
Então toda a manada se aproximou para um derradeiro adeus. Um a um foram colocando os focinhos sobre o seu corpo como que a despedirem-se. Um deles, talvez mais inconformado, levantou uma pata e, levemente, raspou-a sobre o seu corpo inanimado, possivelmente tentando que ela se levantasse.
Depois desta triste cerimónia, afastaram-se, lentamente, deixando que a natureza fizesse o que tinha a fazer.
maria belém