quarta-feira, 30 de março de 2011

Descanso de ter sido. Agora sou.


Conto os dias pelo espelho

e a minha imagem como foge...

É tão tarde!

O tempo arde

e a noite é imensa...

partem tão tristes os meus olhos,

tão tristes e saudosos,

tão cansados, tão chorosos,

tão doentes da partida.

E eu não sei se vou partindo

ou vou ficando...

não sei se luto assim

ou assim desisto...


Descanso de ter sido.

Agora sou


maria belém

sexta-feira, 25 de março de 2011

Longo é o tempo


Estar sempre contigo
numa memória de ti,
recordar o amor com que
o Sol me contemplou,
ser como o mar contra os rochedos,
desfazer-me em espuma e sorrir...

Não deixar que o batel da minha vida
rasgue suas velas,
feitas de sonhos meus.

Longo é o tempo...

e a vida não é senão um passo escorregadio
entre a recordação e o sonho.


maria belém

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sou

Narrin Afrouz


Sou ave solitária que voa bem alto,

assim eu gostaria,

ser levada em calmaria pelo vento,

indo à toa,

trazendo no peito, que ressoa,

um coração livre a fervilhar de lembranças

e no olhar

a lonjura misteriosa

de uma alma ansiosa,

fonte donde jorra o luar...


maria belém

sexta-feira, 18 de março de 2011

Quem és tu, poeta?... (para o Dia Mundial da Poesia - 21/03)


Palavras doces, vindas em tule salpicado de beijos, suave, diáfano, macio ao tacto
de minhas mãos, pousam nos meus sedentos lábios e repousam, entrelaçadas, na
minha alma.

Descobriste-me, poeta, e amarraste-me, contra-vontade, aos enleios da tua escrita.

Que vai ser de mim?...

Como poderei deixar de te ler, poeta fingidor?

Tanto que queria olvidar-te...

esquecer aquelas fatias de sonho que me chegam através de palavras enganadoras,
almiscaradas de uma felicidade, inexistente, plantada à janela do tempo.

Quem me dera poder ler o que pensas, nessas expressões mudas, fugidias, que
reflectem sensações intensas...

O que buscas? Que tentas ocultar?

Escreves sem ver o sonho intenso do meu sonho apaixonado e partes dizendo-te
indiferente...

e eu pergunto:

quem és tu, poeta?...

maria belém

terça-feira, 15 de março de 2011

Não haverá amanhã


Narrin Afrouz


para quem traz nas mãos o esquecimento.

Para onde quer que vá levo comigo o grito do meu coração, as bençãos da
minha alma em fuga.

Canto a vida, os meus versos são fadados como beijos de amantes que deixaram
de se amar.

Procuro palavras para fabricar um livro em que a minha juventude perdida,
à espera de prazer, se foi... o amor se foi...

Sei que não sou a única a sofrer, a única a chorar, não sou a única a viver como um
sorriso na palidez de uns lábios esquecidos, em que o coração é um abismo de
mensagens sempre repetidas.


Haverá um amanhã

para ti... se os teus sonhos e desejos voltearem, em tons de rosa, como borboletas em fuga,
se a tua alma, sempre agitada, aturdida, insatisfeita, for feita de um céu em êxtase
azul, ondulante num murmúrio de estrelas.

Para ti só tenho palavras, todas banhadas por lágrimas e por beijos prometidos.

Aceita-as, não procures o sonho sob um céu em chamas.

maria belém

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Medo...

Edvard-Munch

Acordo

e, mesmo antes de abrir os olhos,

ele ali está...


... o medo ...


abstracto, ansioso, doloroso de angústia, inquietante,

como um grito que vem da alma, uma lava que se solta

e escorre pelos interstícios do corpo.


E eu ali deitada, sem me mexer, à espera que se vá embora

ou que me diga o porquê.


Abro os olhos, devagar, e não o vejo, foi-se na luz, difusa,

do amanhecer...


maria belém

quarta-feira, 9 de março de 2011

O vento que esta noite bateu na minha porta

Angela Meijer

trouxe a tua voz no seu sopro.

Sussurou-me palavras mélicas de amor, gargalhou risos de primavera, disse-me como é doce morrer num tempo de silêncio, enquanto seus dedos percorreram meus cabelos e, num suave deslizar, levou-me um beijo roubado.

Depois, afastou-se, deixando, atrás de si, um rasto de saudade...

maria belém

sábado, 5 de março de 2011

No cálice do tempo...


Ao longe,

estando tão perto neste calor
de febre de noites brancas,
penso-te e acompanho-te
no deambular do teu pensamento.

No cálice do tempo procuro
aplacar a saudade,
minhas mãos afagam sonhos, em silêncio,
e os lábios da alma trazem o perfume
e vestígios de um beijo.

O sopro do Inverno pousa-me no coração
e minh' alma, como uma noiva,
vai nos braços do vento
levar-te o abraço da paixão

mariabelem