O Senhor do Universo já tinha reparado nela, era uma estrela pequenina, muito brilhante mas que não gostava de dar nas vistas. Enquanto outras procuravam dar-se a conhecer fazendo parte de uma ou outra constelação ou aparecendo em noites claras sobre um céu cor de anil, salientando-se no firmamento, ela, tímida, escondia-se por detrás das outras estrelas para passar despercebida.
Olhava, à sua volta, curiosa, procurando um mundo de beleza procriado, vendo Deus naquela paz imensa, no brilho resplandecente dos astros, no manto ingente da noite.
Era muito bela, cheia de encanto e doçura e o Senhor do Universo já tinha reservado, para ela, uma missão.
Tinha ouvido falar num Messias anunciado pelo anjo Gabriel a uma mulher, Maria, e a seu marido, José, um casal que vivia em Nazaré da Galileia.
Como o imperador Octávio César Augusto tinha promulgado, nessa época, um decreto que obrigava todas as famílias a recensearem-se nas suas respectivas terras natais - e Maria já estava grávida -, José decidiu partir com ela para Belém. Embora a viagem demorasse aproximadamente cinco dias, foi justamente nessa jornada que Maria, já no fim da gravidez, entrou em trabalho de parto.
Como não havia lugar em nenhuma hospedaria, só lhes restou encontrar abrigo num estábulo, no qual nasceu Jesus, o Messias anunciado. O menino foi envolto em faixas para que ficasse aquecido e deitado numa manjedoura cheia de palha. Uma vaca e um burro que se encontravam no estábulo ajudaram, também, com o seu quente bafo, a aquecer o local.
Alguns pastores que se encontravam nas proximidades com os seus rebanhos, foram abordados por um anjo que lhes anunciou o nascimento do Messias, indicando-lhes o lugar onde se encontrava.
É aqui que a nossa pequena estrela entra com a sua missão. Foi ela a escolhida pelo Senhor do Universo para iluminar e guiar três Reis Magos, vindos do Oriente.
Esta estrela não podia ser uma estrela comum visto que seguiria um percurso invulgar de Oriente para Ocidente, sempre diante dos Magos. Seria como um ponto luminoso, uma estrela que permitiria aos Reis Magos seguirem-na para encontrarem o futuro «Rei dos Judeus».
Herodes, que na altura governava a Palestina, ao ter conhecimento de que uns reis, vindos do Oriente a Jerusalém, perguntavam onde tinha nascido o «Rei dos Judeus» - pois tinham visto e seguido a sua estrela desde o Oriente, querendo adorá-lO -, chamou-os e recomendou-lhes que ao localizarem o menino o avisassem para, também ele, o ir adorar.
Depois do encontro com Herodes, os três Reis Magos viram novamente a estrela no céu que os guiou até ao local onde se escondiam Maria e José. Ao chegarem, prostraram-se e adoraram o Messias deixando-Lhe os seus presentes: ouro, incenso e mirra.
Logo que os Reis partiram, José recebeu a visita de um anjo, em sonho, que o avisou que Herodes mandou procurar o Menino para o matar, assim como mandou matar todas as crianças de Belém e arredores, de dois anos de idade para baixo.
Então José fugiu com Maria e Jesus para o Egipto permanecendo lá até à morte de Herodes. Depois da morte deste retiraram-se para uma das regiões da Galileia.
A pequena estrela, depois daquela missão, voltou ao seu lugar no firmamento. Não se envaideceu nem um pouco, antes pelo contrário, sentiu, ainda mais, que fazia parte do coro de muitas vozes da Natureza, do giro infindo de todos os astros que, com a sua beleza, fazem com que Deus ilumine as almas tristes, depositando nelas uma luz, rasto de uma sinfonia plena de Amor.
maria belém
Nota: Neste conto, a preocupação não foi a História Bíblica mas só a história da pequena
estrela.
Nota: Neste conto, a preocupação não foi a História Bíblica mas só a história da pequena
estrela.
