sexta-feira, 29 de abril de 2011

Prisão

Noronha da Costa

O envelhecer é uma prisão,
 encarcera uma alma jovem num corpo abatido e cansado,
 mas o amor semeia alegria onde a vida se gasta

maria belém

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Que...

Gary Benfield

Que o Amor se perca nas estradas do pensamento,
atravesse as estrelas,
beije a face da Lua numa órbita de mim...

maria belém

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Aproxima-te...


Aproxima-te.

Abraça-me, sussurra-me ao ouvido as palavras que há tanto desejo ouvir...

e eu entregar-me-ia num beijo doce como o néctar da paixão.

Com os olhos semi-cerrados, como se sonhasse, dir-te-ia, entre suspiros, com voz trémula, tudo o que a alma, deusa do amor e da lua, tem sonhado na insolação do desejo, no vaguear do espírito à procura do ser amado, do corpo que só a ti se desvendaria, se fundiria na magia do anseio.

Aonde vais nesta noite escura?

Vem...

que aos sussurros sucedem-se os suspiros e aos suspiros o silêncio...

maria belém

terça-feira, 26 de abril de 2011

Se pudesse...


Se pudesse, aconchegaria tuas noites frias
envolvendo-te nos versos mais bonitos

Se pudesse, refrescaria e perfumaria tua fronte
com o toque suave de minhas mãos

Se pudesse, pentearia teu cabelo cor de prata
com o luar mais resplandecente

Se pudesse, alimentaria e mataria tua sede
com o doce sabor de minha boca

Se pudesse, aqueceria tua alma dorida e só
com o fogo aceso do meu corpo

Se pudesse, meu amor, dar-te-ia minha vida
mesmo que pra isso me transformasse em pó

maria belém

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Quando a noite cai...


Quando a noite cai
enrosco-me nas dobras dos meus sonhos
e, aí, encontro-me, encontro-te.

A emoção volta ao olhar convertendo
a saudade em chama ardente.

Percorremos o caminho da Vida
de mãos dadas, em silêncio.

Para quê falar?...

Nossos pensamentos convergem,
nossa alma é o ponto de encontro.

Que o sonho repouse em mim, no meu amar,
deixando para bem tarde o desencontro...

maria belém

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Escrevo o meu nome no vento




Escrevo o meu nome no vento.

O teu olhar faz-se saudade no meu corpo e, numa prece,
deixo que o coração se entorne para, de novo, o encher de amor.

maria belém

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Primavera


A Primavera, cálida, enfim, chegou
numa explosão lasciva de mil cores
e para quem jamais cuidou e amou
trouxe-lhe um braçado d'eternos amores

Árvores, retorcidas pelas dores,
escondem, envergonhadas, os seus braços
em mangas enfeitadas de flores
dando, a quem passa, os seus abraços

Num rodopio de grandes emoções,
num sorriso de cor sadia, terno,
como amor cativo nos corações,
enterra os dias tristes do Inverno

Comigo e contigo passa seus dias
na luz de fim de tarde que provoca
gemidos derramados plas folhas frias,
enquanto aves, gorgeando, beijam sua boca

maria belém

sábado, 16 de abril de 2011

Cai a noite nos meus olhos

Deigo Rivera

Cai a noite nos meus olhos e digo-te adeus do outro lado da vida, do fundo da minha alma, do fundo dos meus sonhos.

Neste tempo de ir embora, uma parte de mim, no silêncio do teu lado incerto, sufoca as emoções nestes dias de todas as cores.


Só o poeta regressa à memória de quem ama, só ele é capaz de gritar os segredos da paixão, roubar pecados dos corações como se fossem flores e ofertá-las em mensagens de esperança, recados de amor.

Como saltimbanco de sonhos, o poeta vai semeando sentimentos por dias e noites, lugar de todos os segredos, e uma promessa vai-se esboçando no jardim onde crescem verdades não refeitas, mundos plenos de vazios e de desassossegos, lado oculto do prazer que sonha e cresce, como se fossem pétalas, rubras, de flores a inventar tardes felizes.

maria belém 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Encontros e Desencontros

René Magritte

Encontrámo-nos numa tarde que acasalou os nossos sonhos,
tu e eu, sozinhos, no meio dos imensos murmúrios de música
e sons falantes.
Réstea de um tempo vivo, memória que não se inventa, aromas
que inundam a saudade.
Apaixonei-me pela respiração dos teus e meus sonhos, pelos
gestos das tuas mãos, pelo ardor de todas as palavras  que
acreditam no desejo.

Mas fez-se outro tempo, com outra música, murmúrios de gente
sofrida, troca de ilusão por desencanto, um rio cansado, perdido
dentro de nós. Uma música adormecida a falar dos silêncios. E
como os silêncios são pesados... Embora haja neles um tempo
confidente, quando se instalam por detrás dos lábios, arranham e
ferem a alma.

Perdemo-nos...

quando, não sei...

Perdemo-nos nessa ausência possuída de mistérios, de silêncios,
de mal-entendidos...

É tempo, e como ele foge... de renunciar ao silêncio e procurar,
de novo, as palavras, ditas, que deram forma ao encantamento.

maria belém

terça-feira, 12 de abril de 2011

Esquecer? Como tudo é vão...



Enquanto o tempo dormia
à tua espera ficava,
e, em sossego, cismava
co'a quimera em agonia




Esquecer? Como tudo é vão...



Quanto menos quero recordar
mais a saudade anda junto a mim,
mesmo que lhe queira pôr um fim
minh'alma não se pode separar




Os sonhos caíram como cartas formando um castelo, no entanto quero erguê-los no silêncio que abre os braços e esvoaça ao encontro do segredo que a alma, calada, sente, num abandono de esquecida.

maria belém

Gritar, num verso, a dor



Um dia descobrimos que nos apaixonámos mas isso não é importante, o importante é saber perder com classe, continuar a abraçar a vida com paixão.

O que pensamos, o que pronunciamos, dissimula-se, como escrita invisível, sob o

gritar, num verso, a Dor

maria belém

terça-feira, 5 de abril de 2011

Talvez...



Talvez te encontre, algum dia,
no outro lado do arco-íris...

... quem sabe ...

talvez no dia em que os sonhos,
feitos espuma,
fustiguem tua alma num entardecer,
esvaziem teu peito
levando nas ondas o seu perecer...

e, então, talvez oiças minha voz,
branda, doce, suave,
como rio tranquilo lambendo suas margens,
a falar-te do hoje porque o amanhã vem longe,
a dizer-te que o amor é um não sei quê que não entende,
um vagar de uma alma cativa,

um morrer quem nunca amou
como morreu quem amou tal...

maria belém

segunda-feira, 4 de abril de 2011

No espaço da palavra do teu chão


No silêncio que pairava, docemente,
nas pesadas tranças do anoitecer,

anos fui contando, sempre à espera

do dia em que deixasse de os tecer


Fiei-me em palavras derramadas,

nas lágrimas sentidas que dizias,

nas ternas expressões qu' escrevias,

nas mãos, nas minhas apertadas
 
Vivi dias e noites, momentos...

sentindo o teu ombro junto ao meu

num enlace de sorriso, terno e doce,

repousado na expressão do olhar teu


Como murcha rosa, meu coração,

perdido entre mil espinhos mora,

cativo dum amor que 'inda chora

no espaço da palavra do teu chão

maria belém

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Grito de liberdade


Com dedos de fantasia

despenteei a saudade,

abri mão da amizade,

folheei a minha vida,

lavei a alma com a maresia

de uma lágrima sentida


e gritei por Liberdade!


maria belém