domingo, 25 de setembro de 2011

O amor e a eternidade


Sua alma tinha ficado num sono quase eterno, pálida e fria mas, como na história da «Bela Adormecida», um príncipe, envolto em palavras mélicas e quentes, pousou o néctar da sua escrita nos seus lábios roxos de frio.

Acenderam-se no seu rosto o fogo das cerejas, sua boca ficou rubra como uma papoila palpitante, a florir, e seus olhos abriram-se para a vida num ardente êxtase de amor.

Aquelas palavras, em boca silenciosa, palavras ciciadas ternamente, como um afago, perturbaram a sua alma.

Nunca lhe pediu que a amasse, refugiou-se num silêncio a querer falar e inventou versos dispersos, a soluçar...

              num murmúrio, num gemido quase desfeito, num verso imenso de ansiedade, disse-lhe que o seu amor seria por toda a eternidade...

maria belém

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As palavras que te diria...

andrew-gonzalez

Num sossego de alma, dir-te-ia palavras que ficaram guardadas no tempo...

   ... palavras envergonhadas, esquecidas no âmago do Ser...

  ... palavras sentidas, adormecidas de tanto esperar e que embalaram, no silêncio, um sonho lindo.

Palavras que voariam, como uma ave, para longe do espaço em que habitam, num ardente anseio da alma.
Na felicidade que fingiam, como barco que afundava em alto mar, pediriam socorro mas os dias monologavam e os sonhos, feitos uma mentira, perder-se-iam num mundo de incertezas.

A vida, não trazendo ao viver qualquer mudança, destruiu nosso encanto de magia...


Mas a alma, num despertar, descobriu que na vida ainda pode existir muita madrugada nesse dom que o Céu nos concedeu, nesse nosso elo feito poesia.

maria belém

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cartas de amor


Já não se escrevem cartas de amor.

Agora enviam-se emails ou mensagens, via telemóvel, com palavras entrecortadas como se a própria escrita se sentisse envergonhada e soluçasse de saudade.


Uma carta de amor era como um botão de flor, segurava-se ternamente, aconchegava-se ao peito, inalava-se o seu perfume e, na noite de estrelas matizadas, numa ânsia juvenil, sonhava-se com cada palavra a voltear, a flutuar em espirais feitas espuma, sonhos a rasgar o véu de uma névoa de saudade.
E o vento da felicidade vinha acariciar, indolente, as madeixas de cabelo que caíam sobre o vestido, enquanto os rostos se afogueavam.

As palavras, como dardos amorosos, deixavam nos corações uma centelha de sonho que despertava para a vida.
Saboreava-se com os olhos, em deleite, cada palavra como se a folha de papel fosse o firmamento e as palavras fossem a luz com que o amado a salpicava.

Na madrugada luminosa, sobre a página de uma resposta, um coração, acalentado pelo mesmo sonho, voava penetrando nas nuvens do futuro.

maria belém

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sinfonia nº. 9 em ré menor de Beethoven


Adaptação do poema de Friedrich Schiller, «Ode à Alegria», feita pelo próprio Ludwig Van Beethoven


«Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até à morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!»

Miragem no tempo


Canto a luz do teu olhar,
mergulho na magia do teu sorrir,
enleio-me nas ondas do teu cabelo
e, aí, me deixo ficar

maria belem

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

[...] 2


... Fiquei algum tempo deitado na cama, sem conseguir pensar em nada. Durante um momento isso foi doloroso, depois achei agradável. Não estava a adormecer, estava a ficar sem pensamentos...

[um pequeno excerto do livro de Peter Handke: «Uma Breve Carta para um Longo Adeus»]

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

E se fosses a minha maré cheia?


Se fosses a minha maré cheia, mar que me embalaria no vai-vem das suas vagas, ora me abraçando, ora me deixando,
                            
                           ficaria à espera, de olhos semi-cerrados, que uma nova vaga, feita de doçura e piedade, viesse afagar minha alma, lambendo-a com seus lábios húmidos de espuma, ansiosos, deixando-a arrepiada de desejo...

depois voltaria a deixar-me...

                            mas, com a força e a fúria da saudade, correria novamente para mim, enrolando-me nos seus longos e esbeltos braços, palpitante e ondeante, revolteando-me num remoínho de prazer.

Ao meu redor  far-se-ia silêncio.

Como um berço onde a vida nos pousa, dormiria, num abraço lânguido e doce, por toda a eternidade.

mariabelém

domingo, 11 de setembro de 2011

Agradecimento

Peço desculpa de estar a agradecer, por aqui, os comentários que me têm sido feitos mas, não sei o porquê, não consigo fazê-los no sítio devido.
Obrigada, Fernanda, por estares sempre presente e obrigada, Skocky, pelo belíssimo poema de Fernando Pessoa e, também, pela sua disponibilidade para me ler, o que é um privilégio.
Um grande abraço