Sua alma tinha ficado num sono quase eterno, pálida e fria mas, como na história da «Bela Adormecida», um príncipe, envolto em palavras mélicas e quentes, pousou o néctar da sua escrita nos seus lábios roxos de frio.
Acenderam-se no seu rosto o fogo das cerejas, sua boca ficou rubra como uma papoila palpitante, a florir, e seus olhos abriram-se para a vida num ardente êxtase de amor.
Aquelas palavras, em boca silenciosa, palavras ciciadas ternamente, como um afago, perturbaram a sua alma.
Nunca lhe pediu que a amasse, refugiou-se num silêncio a querer falar e inventou versos dispersos, a soluçar...
num murmúrio, num gemido quase desfeito, num verso imenso de ansiedade, disse-lhe que o seu amor seria por toda a eternidade...
maria belém




