Quando o pano cai e chega ao fim a representação do Eu Vida, a personagem que encarnámos, ora trágica, ora alegre, ora emotiva, agradece as ovações do público e esconde-se por detrás do palco.
Os espectadores que assistem à sua última representação, quando as luzes se acendem, têm um nó na garganta e os olhos marejados de lágrimas. Numa última exibição, numa despedida, tudo fica em silêncio e de olhos baixos, até o céu... Os pássaros emudecem o seu canto e o vento suspira, suavemente, como cântico de uma flor.
Para lá do palco, a personagem deixa-nos e sobe, lentamente, sentada numa nuvem.
ALGUÉM, oscilando com o vento, vem até ela, sorridente, e diz:
"Vem e senta-te ao meu lado. Eu chamei-te e vieste, por isso passas a ser uma das minhas muitas estrelas que iluminam o Universo. Elas nunca dormem e olham para baixo, para a terra , com olhos ansiosos e companheiros que se fundem no desconhecido.
O teu coração haverá de murmurar preces e sons inaudíveis para quem ficou na terra e a tua memória prender-te-á, para sempre, num laço de amor, àqueles que deixaste."
No entanto, numa noite de luar, alguém que amaste olhará as estrelas e dirá:
"Olha, são tão belas, mas há uma que parece brilhar só para mim..."
então o teu coração, feliz, enredar-se-á na melodia do teu riso.
maria belém




