sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Cigana

Júlia Molico

Numa dança sublime, sofrida,
no delírio de sons realizados,
esvoaça, sensual, bela cigana
deixando desejos germinados

Os passos ao criarem novos passos
despertam nos seres outras visões,
sonhos irreais de amores ardentes
acendem-se, em fulgor, nos corações

O prazer da vida a voltear
ao redor daquele corpo apetecido,
abraça-o com dor e alegria
num desejo de alma bem sentido

Naquela dança estonteante de beleza,
que só a arte consegue ultrapassar,
veste o seu eu e, em louca fantasia,
retrata o sentir do amor a despontar...

maria belém

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Em algum lugar do passado


Em algum lugar do passado, numa sala de segredos bem guardados, baloiçam murmúrios  como sons de harpejos  de um violoncelo a gemer, de um violino a chorar e, ainda, em harmonia, o som nostálgico, cheio de alma e magia, de um piano no breve instante em que o amor desponta.

Num cofre, em forma de coração, há beijos, afectos, ternura, lágrimas do feitio de pérolas, jóias que nos contam das tristezas e alegrias que ficaram lá atrás, no passado sempre presente.

Lá ficaram, também, uma alma ardente, deslumbrada, frustrada, sonhos que ficaram por abrir, sorrisos que deixaram de florir, momentos famintos de ideais.

Os anos passaram, alguns elos de amizade falharam e o viver a vida tornou-se incerteza.


Mas as almas, sempre ansiosas, sempre famintas de amor, refulgem e, numa ânsia louca, apetecida, desejada, entregam-se a um novo começo de Vida com ardor...

e então, novamente são amantes, renascidas que se sentem na felicidade dada com amor, no trinar de novos  sonhos acalentados, novas miragens, novos anseios que nelas crescem,  roubando-lhes o mundo dos sentidos.

maria belém

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Afastar é o mesmo que esquecer


Mil noites...
Mil dias...
Mil sonhos...

vagueando pelas noites,
caminhando sozinha,
cansada de esperar o inesperado
que não chega nunca...

e os olhos fecham-se-lhe num sono
em que já não é ninguém...

Dia...

agora é a outra,
aquela que balança
entre a saudade e a esperança.

Pede que a abrace,
que se entregue nos seus braços,
que descubra todo o mistério que era
e deixou de ser
                           
                  e diz-lhe, suavemente, em pensamento:

                 «nunca te afastes, porque afastar é o mesmo que esquecer»

maria belém