quarta-feira, 21 de março de 2012

Quando o pano cai...



Quando o pano cai e chega ao fim a representação do Eu Vida, a personagem que encarnámos, ora trágica, ora alegre, ora emotiva, agradece as ovações do público e esconde-se por detrás do palco.
Os espectadores que assistem à sua última representação, quando as luzes se acendem, têm um nó na garganta e os olhos marejados de lágrimas. Numa última exibição, numa despedida, tudo fica em silêncio e de olhos baixos, até o céu... Os pássaros emudecem o seu canto e  o vento suspira, suavemente, como cântico de uma flor.

Para lá do palco, a personagem deixa-nos e sobe, lentamente, sentada numa nuvem.

ALGUÉM, oscilando com o vento, vem até ela, sorridente, e diz:

"Vem e senta-te ao meu lado. Eu chamei-te e vieste, por isso passas a ser uma das minhas muitas estrelas que iluminam o Universo. Elas nunca dormem e olham para baixo, para a terra , com olhos ansiosos e companheiros que se fundem no desconhecido.
O teu coração haverá de murmurar preces e sons inaudíveis para quem ficou na terra e a tua memória prender-te-á, para sempre, num laço de amor, àqueles que deixaste."

No entanto, numa noite de luar, alguém que amaste olhará as estrelas e dirá:

                      "Olha, são tão belas, mas há uma que parece brilhar só para mim..."

então o teu coração, feliz, enredar-se-á na melodia do teu riso.

maria belém

    

3 comentários:

skocky disse...

Como não poderia Ulisses deixar de se encantar?!
Pois eu fico sempre encantado pelo e com o seu magnífico talento..

Maria Belém disse...

Mais uma vez agradeço as suas palavras sempre tão elogiadoras que me dão ânimo para continuar.

skocky disse...

Quem está imensamente grato é aquele que se deixa encantar pela sua escrita autêntica e bela!
Um incentivo a não desistir, tal como na minha transição para a adolescência aprendi, ao ler em «O Cavaleiro Andante» a ´Legenda` de BEAU GEST...e, também, de Adolfo Simões Müller, a heróica tragédia de Robert Scott, em «O Capitão da Morte»!...
Toda a epopeia Sérvia do Kosovo (sécs. XIII-XIV) que canta a resistência ao invasor Turco, apesar da derrota de 1389...