René Magritte
Encontrámo-nos numa tarde que acasalou os nossos sonhos,
tu e eu, sozinhos, no meio dos imensos murmúrios de música
e sons falantes.
Réstea de um tempo vivo, memória que não se inventa, aromas
que inundam a saudade.
Apaixonei-me pela respiração dos teus e meus sonhos, pelos
gestos das tuas mãos, pelo ardor de todas as palavras que
acreditam no desejo.
Mas fez-se outro tempo, com outra música, murmúrios de gente
sofrida, troca de ilusão por desencanto, um rio cansado, perdido
dentro de nós. Uma música adormecida a falar dos silêncios. E
como os silêncios são pesados... Embora haja neles um tempo
confidente, quando se instalam por detrás dos lábios, arranham e
ferem a alma.
Perdemo-nos...
quando, não sei...
Perdemo-nos nessa ausência possuída de mistérios, de silêncios,
de mal-entendidos...
É tempo, e como ele foge... de renunciar ao silêncio e procurar,
de novo, as palavras, ditas, que deram forma ao encantamento.
maria belém

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