terça-feira, 15 de março de 2011

Não haverá amanhã


Narrin Afrouz


para quem traz nas mãos o esquecimento.

Para onde quer que vá levo comigo o grito do meu coração, as bençãos da
minha alma em fuga.

Canto a vida, os meus versos são fadados como beijos de amantes que deixaram
de se amar.

Procuro palavras para fabricar um livro em que a minha juventude perdida,
à espera de prazer, se foi... o amor se foi...

Sei que não sou a única a sofrer, a única a chorar, não sou a única a viver como um
sorriso na palidez de uns lábios esquecidos, em que o coração é um abismo de
mensagens sempre repetidas.


Haverá um amanhã

para ti... se os teus sonhos e desejos voltearem, em tons de rosa, como borboletas em fuga,
se a tua alma, sempre agitada, aturdida, insatisfeita, for feita de um céu em êxtase
azul, ondulante num murmúrio de estrelas.

Para ti só tenho palavras, todas banhadas por lágrimas e por beijos prometidos.

Aceita-as, não procures o sonho sob um céu em chamas.

maria belém

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