terça-feira, 4 de outubro de 2011

Encontros/Desencontros de Almas


Duas almas, fugidias, soltam-se do mistério que é a Vida, sequência de encontros/desencontros em várias épocas, em vários lugares.

Num caminhar lado a lado, caladas, o seu «Eu» distinto do outro «Eu».

A vida é como uma estrada a percorrer e as almas, desprovidas por vezes de sentidos, caminham sem ver todas as maravilhas que lhes são oferecidas.

Sonhos e canseiras voltam a viver-se, não percebem, no presente, as lutas que sofreram no passado nem se lembram do que ficou gravado nos seus Seres mas, no entanto, os sinais desse passado deixam-lhes, muitas vezes, as almas inquietas.

No segredo dos dias de mais uma viagem, sentem como que um sopro de alguém que lhes foi próximo, um secreto amigo, talvez, mas o coração jaz, calmamente triste, não deixando que se apercebam do mágico «encontro» que terminará no sonho, na ilusão.

Alguém,mesmo ao seu lado,  não conseguiu descobrir um olhar, uma súplica de nostálgica amizade. Então,  num anseio palpitante de desilusão, despede-se, mais uma vez,  pedindo à Noite que lhe abra os braços, deixando-se esvaír num derradeiro cântico de amor.

maria belém

3 comentários:

skocky disse...

O verdadeiro, único amor?!... Talvez seja aquele que jamais se revelou; nunca teve palavras para falar, dizer-se;-brotou e cresceu, cresceu, e ficou como suspenso no seu próprio silêncio, na sua nudez invencível. E se tornou, dentro de nós, num murmúrio imperceptível, num fio de luz, ou numa corrente, sem origem nem destino, sem fim; mas, que se sente a tumultuar e circular por todo o nosso ser, como o sangue em nossas veias, ou no nosso respirar, o nosso alento...

Alcyone

skocky disse...

Batem asas, dentro de nós! E não voamos, não nos desprendemos, não partimos.
- Que raiz nos prende ´aqui`?!...
Batam as nossas asas, até ruírem os muros onde elas vivem; até saírem da cadeia, onde, numa hora, elas caíram, ficaram presas, cativas!
E abram-se definitivamente, no ar livre, naquele espaço sem margens nem limite, num voo directo e sem peias. Até o azul, o infinito - porventura, até Deus!...Até à vida; ou até à morte -aquela morte que, talvez, seja, a vida, ´verdadeiramente viver`!

Alcyone

Maria Belém disse...

Lindíssimos estes seus dois comentários, Alcyone e que têm muito a ver com o que penso.
Obrigada
Júlia