domingo, 5 de junho de 2011

E eu que só queria que me convidasses para almoçar...


Ouço o silêncio que me rodeia, olho nos olhos o espelho e estremeço de dor por ter amado uma forma final do amor.

Fico a olhar-me, maquilho a boca de vermelho. É na polpa dos meus lábios que o vermelho do batom se insinua, como sorriso feito desejo.
Mordo os lábios e deixo o espírito vaguear...

Vejo-te longe, o vento a acariciar o teu rosto, fatias de sonhos a passearem nos teus olhos e esta mesma lua que me ilumina, a mim, a impregnar-te da sua beleza.

Quando se ama, pouco basta para suportar a separação... que respiremos o mesmo ar... que pisemos o mesmo chão desenhado de palavras mágicas.

Não é no que dizem as palavras mas no que dizem sem dizê-lo que descobrimos o segredo do desejo que paira nesse silêncio feito entrelinhas.


Mas...

               ... os nossos pensamentos, entrelaçados, esfumaram-se...

               ... o salto para o afecto, faltou...

               ... a tua mão, na minha, abriu-se...

               ... e o que dizes, mal entendo.


Aos poucos fui morrendo de enganos...


e eu que só queria que me convidasses para almoçar...


maria belém

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