Ouço o silêncio que me rodeia, olho nos olhos o espelho e estremeço de dor por ter amado uma forma final do amor.
Fico a olhar-me, maquilho a boca de vermelho. É na polpa dos meus lábios que o vermelho do batom se insinua, como sorriso feito desejo.
Mordo os lábios e deixo o espírito vaguear...
Vejo-te longe, o vento a acariciar o teu rosto, fatias de sonhos a passearem nos teus olhos e esta mesma lua que me ilumina, a mim, a impregnar-te da sua beleza.
Quando se ama, pouco basta para suportar a separação... que respiremos o mesmo ar... que pisemos o mesmo chão desenhado de palavras mágicas.
Não é no que dizem as palavras mas no que dizem sem dizê-lo que descobrimos o segredo do desejo que paira nesse silêncio feito entrelinhas.
Mas...
... os nossos pensamentos, entrelaçados, esfumaram-se...
... o salto para o afecto, faltou...
... a tua mão, na minha, abriu-se...
... e o que dizes, mal entendo.
Aos poucos fui morrendo de enganos...
e eu que só queria que me convidasses para almoçar...
maria belém

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