Léah MorMac
Foram ver o mar.
Não que fosse a primeira vez que isso acontecia mas agora era diferente.
Não se viam há muito tempo, há demasiado tempo. Muita coisa tinha acontecido nas suas vidas, outros amores, desamores, momentos felizes e infelizes.
Andaram perdidos no espaço e no tempo até que um dia perguntaram a si mesmos se andariam ou não na rota errada dos seus destinos.
Então, a neblina que preencheu, durante tanto tempo, o côncavo das suas almas, levantou, deixando a descoberto um céu azul de saudade.
Estarem juntos, outra vez, era como pôr pé em terra firme, segurar, de coração aberto, o mundo...
Olharam-se... o mesmo sorriso entre travesso e carinhoso daqueles olhos castanhos escuros, amendoados, feitos veludo...
Entendem-se sem palavras, como é bom degustarem aquele momento, aquela companhia, aquela pequena viagem, aquela conversa sem palavras...
Lentamente puxa-a para si e beija-a, suavemente, na boca. Enlaça-a pelos ombros e, numa comunhão de almas, ficam a ver o ir e vir das ondas do mar...
maria belém

1 comentário:
Docemente
hei-de agarrar a tua mão
e juntos
seremos os donos da floresta,
Levaremos o Outono
às folhas que tombam na Primavera.
Seremos em cada pôr do sol
uma dádiva de amor
uma carícia à morte.
Juntos
enfrentaremos o tempo
com um olhar firme.
José Bação Leal (1942-1965)
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