Gary Benfield
Amo-te!...
já não dá mais para calar...
quero dizer-te do meu amor, deste arrolhar constante, apaixonado, que se instalou sobre as ondas, frementes, do rio do meu espírito.
Neste não viver, por onde vivo, agarro-me ao desejo de te ver junto a mim, desejo de te estreitar, ardentemente, nos braços, para descobrires o mundo de prazer que te daria, Amor, se quisesses...
... o sussurrar de palavras doces, bálsamo de frescura de jasmins...
... o beijar, sem cessar, esses olhos transparentes de lua azul...
... o embriagar-te com o mel que a minha boca sorveria da tua...
... o sentires, num abraço prolongado, as ternas lianas dos meus braços
entrelaçando-se ao redor do teu pescoço...
... e eu, perturbada pelos beijos apaixonados e pelo contacto dos corpos, deixaria - como planta por onde a seiva sobe - que o desejo me possuísse...
A neve vai cobrindo nossos cabelos, as rugas nos nossos rostos vão surgindo e o olhar vai perdendo o seu fulgor...
... mas o sol, rodeando num abraço, embriaga, ao amante, os seus amores...
maria belém

3 comentários:
Já sentia saudades desta sua impetuosidade, servida por uma forma de expressão escrita que me encanta!
Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
É deveras interessante que íman, em francês, se escreve ´aimant` !...
Camões, o grande Camões...
Mais uma vez obrigada, Skocky, pelas suas amáveis palavras e presença.
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