segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Amo-te!... (para a colectânea «Namorar é preciso», alusiva ao Dia dos Namorados)

Gary Benfield

Amo-te!...

                             já não dá mais para calar...

quero dizer-te do meu amor, deste arrolhar constante, apaixonado, que se instalou sobre as ondas, frementes, do rio do meu espírito.

Neste não viver, por onde vivo, agarro-me ao desejo de te ver junto a mim, desejo de te estreitar, ardentemente, nos braços, para descobrires o mundo de prazer que te daria, Amor, se quisesses...

                             ... o sussurrar de palavras doces, bálsamo de frescura de jasmins...

                             ... o beijar, sem cessar, esses olhos transparentes de lua azul...

                             ... o embriagar-te com o mel que a minha boca sorveria da tua...

                             ... o sentires, num abraço prolongado, as ternas lianas  dos meus braços
                                   entrelaçando-se ao redor do teu pescoço...


... e eu, perturbada pelos beijos apaixonados e pelo contacto dos corpos, deixaria - como planta por onde a seiva sobe - que o desejo me possuísse...


A neve vai cobrindo nossos cabelos, as rugas nos nossos rostos vão surgindo e o olhar vai perdendo o seu fulgor...

                            ... mas o sol, rodeando num abraço, embriaga, ao amante, os seus amores...


maria belém

3 comentários:

skocky disse...

Já sentia saudades desta sua impetuosidade, servida por uma forma de expressão escrita que me encanta!

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

skocky disse...

É deveras interessante que íman, em francês, se escreve ´aimant` !...

Maria Belém disse...

Camões, o grande Camões...
Mais uma vez obrigada, Skocky, pelas suas amáveis palavras e presença.