Era uma rosa desabrochada, não um botão em flor, a sua corola de pétalas vermelhas, cor da paixão, enfeitavam-na, fazendo dela, ainda, uma bonita rosa.
Vivia no jardim entre várias flores a quem o seu perfume, a sua alegria contagiante, dava esperança de futuros dias amenos, de coloridos dias de paz.
Com fantasia e amor ía criando um ambiente caloroso e cheio de luz.
Quem a visse diria não haver rosa mais feliz, a quem não faltava encanto, beleza, amizade e companheirismo das outras flores. E assim era, no entanto, só ela sabia com que sacrifício dava alento às suas companheiras.
Não percebia o que se passava mas, já há algum tempo, sentia a sua alma melancólica, solitária, como se estivesse a morrer aos poucos. À noite chorava baixinho para não acordar nem preocupar as outras flores que lhe queriam tanto.
A pouco e pouco, as suas companheiras, de jardim, começaram a aperceber-se de que algo não estava bem.
Quando amanhecia, as pétalas da sua querida rosa, outrora tão viçosas, tão vermelhas, mostravam-se pálidas e um tanto murchas.
Tentavam animá-la sem o conseguirem.
Uma manhã, ao acordarem, deram com ela caída no solo, inanimada.
Sem o seu viço e perfume, a bonita rosa vermelha tinha-se entregue nos braços da terra que a acolheu com todo o amor.
maria belém

3 comentários:
PRECE
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silencio hostil,
O mar universal e a saüdade.
Mas a chamma, que a vida em nós creou,
Se ainda ha vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a occultou:
A mão do vento pode erguel-a ainda.
Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ancia –,
Com que a chamma do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distancia –
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
FERNANDO PESSOA
Olá, Skocky, tudo bem consigo?
Há muito tempo que não tinha o gosto de o ver pelo meu blog. Fiquei muito satisfeita.
Obrigada pela sua presença que muito estimo.
Júlia
Olá Júlia
De mim, em verdade lhe digo, por vezes parece-me pertencer já à ´Meta-História` !
Inserido ainda no ´Kronos`, anseio pelo ´Kairos` definitivo (?) !!! Por enquanto assumo a postura de Marcel Proust, isto é, demando, num demorado silêncio, o ´tempo perdido` ...
A leitura dos seus textos d'uma beleza sublime, conforta-me e projecta-me para um ´tempo` sem ´tempo`, para um ´tempo reencontrado`,um ´tempo` sem ´Kronos`(o Deus que devorava os próprios filhos...) que pressinto ser a mais rotunda negação,no que toca a sensibilidade do meu ´ser profundo`, em aceitar sem tristeza, qualquer ´adeus` ...
Continue sempre a escrever, a comunicar neste seu magnífico «Segredos e Murmúrios» !...
Alberto
http://www.youtube.com/watch?v=DRTM54CwPhA
http://www.youtube.com/watch?v=UkRsLOCtcFo&feature=related
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