Este adeus anunciado há algum tempo diz-nos que este é o último Dia da Mãe que passamos juntas neste tempo/espaço, nesta dimensão.
Ambas sabemos que a Senhora de Negro a olha furtivamente, se aproxima de si com passos gentis, instalando-se ao seu lado. Como um ladrão há-de levá-la de mim, numa viagem silenciosa, deixando-me somente lágrimas.
Depois os nossos encontros, as nossas conversas, serão, unicamente, um toque subtil de almas, um piscar entre o sono e a vigília até que um dia ela me venha tomar pela mão e me levar. Então, as portas abrir-se-ão de par em par e, juntas, contemplaremos o Universo na sua verdadeira forma.
maria belém

9 comentários:
Curvo-me perante a sua angústia/esperança!
Vêm-me à mente os versos daquele que tantas vezes ergueu minha mãe para a
fazer montar a cavalo...em Freixo de
Espada-à-Cinta:
EXCERTO DO POEMA “AOS SIMPLES”
Minha mãe, minha mãe! ai que saudade imensa,
Do tempo em que ajoelhava, orando, ao pé de ti.
Caía mansa a noite; e andorinhas aos pares
Cruzavam-se voando em torno dos seus lares,
Suspensos do beiral da casa onde eu nasci.
Era a hora em que já sobre o feno das eiras
Dormia quieto e manso o impávido lebréu.
Vinham-nos da montanha as canções das ceifeiras,
E a Lua branca, além , por entre as oliveiras,
Como a alma dum justo, ia em triunfo ao Céu!...
E, mãos postas, ao pé do altar do teu regaço,
Vendo a Lua subir, muda, alumiando o espaço,
Eu balbuciava a minha infantil oração,
Pedindo ao Deus que está no azul do firmamento
Que mandasse um alívio a cada sofrimento,
Que mandasse uma estrela a cada escuridão.
Por todos eu orava e por todos pedia.
Pelos mortos no horror da terra negra e fria,
Por todas as paixões e por todas as mágoas…
Pelos míseros que entre os uivos das procelas
Vão em noite sem Lua e num barco sem velas
Errantes através do turbilhão das águas.
O meu coração puro, imaculado e santo
Ia ao trono de Deus pedir, como inda vai,
Para toda a nudez um pano do seu manto,
Para toda a miséria o orvalho do seu pranto
E para todo o crime o seu perdão de Pai!...
………………………………………………
A minha mãe faltou-me era eu pequenino,
Mas da sua piedade o fulgor diamantino
Ficou sempre abençoando a minha vida inteira
Como junto dum leão um sorriso divino,
Como sobre uma forca um ramo de oliveira!
Guerra Junqueiro, A velhice do Padre Eterno. – Porto : Lello & Irmão, s/data
Lindo o poema...!!!
A minha angústia deve-se à doença terminal com que a minha Mãe se está a debater há uns meses. Pela sua muita idade e pela própria doença sei que só um milagre faria com que a tivesse aqui comigo no ano que vem, por isso este meu escrito. Acredito que um dia nos voltaremos a encontrar.
Mais uma vez um muito obrigada, Skocky.
Na tradição judaico-cristã, milagre
é o poder criador/regenerador do
Espírito!
O sopro da Vida está sempre ao alcance de que tem a certeza íntima
(emounah/amen) que recebe do Santo
Espírito.
EMOUMAH - AMEN - FÉ!
Tenho esperança que acredite que os
Milagres acontecem!
Respeito o seu silêncio, porém ando intrigado e preocupado com a sua
perspectiva de perda!
Saudades...
Skocky
Tenho esperança que acredite que os
Milagres acontecem!
Respeito o seu silêncio, porém ando intrigado e preocupado com a sua
perspectiva de perda!
Saudades...
Skocky
Muito obrigada pelas suas palavras cheias de esperança e de amizade.
Tem-me faltado imaginação para escrever, tanto a minha mente como o meu coração estão entregues à despedida anunciada da minha Mãe.
Não sei o que me tem custado mais, se é ver a sua degradação física, se a mental. A minha Mãe era uma pessoa cheia de vivacidade, de fino humor, inteligente, criativa,boa conversadora e agora ver que o seu espírito se está a «afastar» cada dia mais, é muito doloroso.
Hei-de voltar à minha escrita e vida normal mas ainda não sei quando.
O Skocky diz que anda intrigado e preocupado com a minha perspectiva de perda, essa perda já começou e o seu culminar será no dia em que a alma da minha Mãe se encontrar com as almas dos nossos entes queridos, que já partiram, e que vão estar à sua espera.
Muito obrigada, Skocky.
Júlia
Rudolf Steiner, fundador da Antroposofia, narra na sua auto-
biografia a experiência tida no
seu encontro com Nietsche, já muito
doente!
Steiner era um Ser Superior e dotado de Clarividência e logo constatou que a alma desse Génio já pairava acima do corpo, impedindo a sua existência no corpo de exercer a sua tão habitual acuidade de juízo!
Steiner diz que, ainda criança, e
quando a Igreja (Templo) estava
situada junto ao cemitério, durante a celebração da Missa as almas se
reuniam rejubilantes de alegria e
fraternidade...
Possa a sua Mãe ser Ponte entre si, Júlia, e aqueles que continua a
amar e se encontram na outra margem...será uma construtora de pontes, uma «Pontífice»!E pelo que diz, já iniciou a sua Missão!
SHALÖM!
Alberto
NIETZSCHE!
Obrigada pelas palavras sábias e que deixam na alma um alento.
Júlia
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